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Presidente da CUT Paraná fala sobre os desafios dos trabalhadores para 2010

Posted by Armando em 04/01/2010

Roni: a união dos trabalhadores é fundamental para assegurar direitos e ampliar conquistas

O momento que atravessamos coloca uma série de desafios aos trabalhadores. A redução da jornada de trabalho, a garantia de negociação coletiva no serviço público e o fim das demissões imotivadas são exemplos do que os trabalhadores têm pela frente em 2010. O presidente da Central Única dos Trabalhadores do Paraná, Roni Anderson Barbosa, analisa o cenário e adianta “a disputa está colocada e a união de classe é fundamental para continuar conquistando e ampliando os direitos”. Veja quais são os desafios dos trabalhadores nesta entrevista:

A 6ª Marcha da Classe Trabalhadora reuniu aproximadamente 50 mil pessoas e mostrou o poder de mobilização do operariado. A que você atribui o sucesso dessa iniciativa das Centrais Sindicais?
Roni – A partir de 2003, ano da 1ª Marcha, as Centrais Sindicais brasileiras entenderam que para avançar nas conquistas é necessária a unidade de classe. O movimento sindical se esforçou para superar suas divergências e começou a construir uma integração para colocar na pauta do Poder Público as reivindicações dos trabalhadores. Foi um processo gradual que culminou na grande mobilização da 6ª Marcha. Porém, há que se destacar que a PEC 231/95, da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários, foi um fator que ajudou muito no sucesso da nossa Marcha.
O que justifica a redução da jornada?
Roni – O aumento expressivo da produtividade da indústria não significou vantagens ao trabalhador. As indústrias não repassaram seus ganhos aos funcionários, muito pelo contrário, reduziram o número de trabalhadores e houve queda nos salários. Outro fator que motiva nossa luta pela redução da jornada é o potencial de geração de aproximadamente 2,2 milhões de novos empregos. A ideia é esta mesmo, trabalhar menos para que todos trabalhem, com qualidade e tempo para a qualificação profissional e o lazer.
Está em andamento uma jornada mundial pelo trabalho decente. Quais são as ações e reivindicações feitas no Brasil?
Roni – Fizemos uma grande mobilização no dia 7 de outubro, em Brasília, para pressionar os parlamentares a votarem a favor de projetos de interesse da classe trabalhadora. A redução da jornada é uma das lutas inseridas nesta campanha, mas existe um rol de reivindicações para melhorar o trabalho no Brasil. Dentre elas, destaco a campanha “O petróleo tem que ser nosso”, o combate à precarização das relações de trabalho, a aprovação das Convenções 151, que garante a negociação coletiva no serviço público, e a 158, sobre o fim das demissões imotivadas, da Organização Internacional do Trabalho.
Já que você abordou o tema petróleo, discorra sobre o pré-sal e sua importância estratégica para o desenvolvimento do país.
Roni – Pré-sal é a área litorânea que vai do Espírito Santo até Santa Catarina, onde foram descobertas as maiores reservas de petróleo do Brasil. As estimativas variam de 80 a 200 bilhões de barris de petróleo. Se calcularmos o valor do barril na atual cotação, cerca de US$ 70, chegaremos ao montante de US$ 14 trilhões. Essa riqueza tem que ser utilizada para resgatar a dívida social brasileira, com a educação, a saúde, a reforma agrária, a moradia, entre outros, através do Fundo Social Soberano, que deve ser criado com a nova Lei do Petróleo.
Qual será a estratégia do movimento sindical cutista nas eleições de 2010?
Roni – Assim como temos feito nos últimos processos eleitorais, vamos apresentar para os candidatos uma plataforma de compromissos para com os trabalhadores e eles irão decidir se vão ou não aderir ao documento. Desta forma, o eleitor vai conseguir identificar quem são os candidatos que têm compromisso com a classe operária. Assim, os eleitores poderão conferir quem são os políticos que estão com os trabalhadores e quem são os falsários, que nessa época posam de populistas, mas quando chegam ao poder, retomam as privatizações e a redução de direitos dos trabalhadores.
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