ADJ Comunicação

Jornalismo e opinião: todo mundo vê!

  • AGENDA

    julho 2017
    S T Q Q S S D
    « ago    
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930
    31  
  • Assinar

  • Visitas ao Blog

    • 1,111,802 acessos

Archive for the ‘TRIBUTO A JOAQUIM’ Category

Histórias e passagens sobre a vida de Joaquim Borges Pinto, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, sindicalista de verdade

“Quebra-quebra no Terminal é coisa do Joaquim e do Ceará”

Posted by Armando em 23/07/2009

Repressão da PM no final dos anos 80 marcou o quebra-quebra no Terminal de Londrina

Repressão da PM no final dos anos 80 marcou o quebra-quebra no Terminal de Londrina

O transporte coletivo de Londrina já foi alvo de inúmeras greves dos trabalhadores do setor e de protestos de estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina), estudantes secundaristas e usuários em geral. Em meados do segundo semestre de 1989,  estudantes iniciaram um movimento de “pula catraca”, como forma de criticar o preço da tarifa de ônibus.

Essa prática tomou corpo ao longo de dias, culminando com a organização de protestos no Terminal Urbano, reunindo estudantes e trabalhadores. A PM (Polícia Militar) também estava lá, já acostumada a reprimir mobilizações desse tipo, que à época eram comuns, como as Greves Gerais convocadas pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), greves de bancários, construção civil e de outros segmentos, todos tratados com as técnicas herdadas de Ditadura.

No primeiro dia, a manifestação ocorreu normalmente, registrando apenas um ou outro empurrão. No segundo dia do protesto, o movimento pela redução da tarifa de ônibus tomou corpo. Antes mesmo de começar o confronto entre a PM e os manifestantes, que se tornaria numa batalha campal, um dos comandantes da operação militar comentou com seu colega: “isso é coisa do Joaquim e do Ceará…”. Foi pura estigma. Os dois dirigentes bancários se encontravam naquele dia em Curitiba, cumprindo uma agenda sindical.

 Ceará (Geraldo Fausto dos Santos), ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, lembra que ao retornar da capital, durante aquela noite, chegou a ser detido por policiais quando procurava por um sobrinho nas imediações. Um pouco antes, por volta das 20h00, o Terminal Urbano foi depredado e incediado, a Avenida Leste-oeste foi palco de uma batalha, com pedras, balas de borracha e até bombas de gás lacrimogêneo, deixando um saldo de várias pessoas presas e algumas feridas. “Eles me levaram para o Detran, alegando que eu estava praticando direção perigosa. Como não tinham prova nenhuma disso e nem mesmo da minha participação no protesto, me liberaram depois”, recorda Ceará.

Para ele, os nervos dos manifestantes foram acirrados naquela noite de confrontos em frente ao Terminal de ônibus em função da forma como a PM agiu. “Ninguém foi lá para tumultuar. Naquela época, os policiais jogavam os camburões pra cima da gente para intimidar, como sempre ocorria nas greves dos bancários e demais mobilizações realizadas na cidade”, explica Ceará, acrescentando que seu nome e do companheiro Joaquim eram constantemente ligados a fatos desse tipo, mesmo se ambos não estivessem envolvidos com eles ou se encontrassem fora da cidade, como foi na noite do quebra-quebra do Terminal.

Posted in TRIBUTO A JOAQUIM | 1 Comment »

Amigos passam sufoco em Curitiba na madrugada fria

Posted by Armando em 05/07/2009

Certa noite, em mais uma viagem a trabalho a Curitiba, Joaquim saiu tarde da atividade sindical e foi com os amigos a um bar para tomar cerveja. A uma determinada hora os companheiros Josué dos Santos (Totô), Aelton Alves Pereira e Irineu Barrinuevo (o Velho) decidiram ir para o hotel, mas Joaquim resolveu ficar para tomar a saideira.

Cansados, os dois se deitaram cedo e logo pegaram no sono. Lá pelas duas horas da madrugada alguém bateu na porta. Aelton, Josué e Irineu, assustados e bêbados de sono, acordaram e perguntaram quem era. Não conseguindo identificar a voz do outro lado da porta do quarto do hotel, todos ficaram atônitos e se perguntaram: “será que é algum bandido??? Será o Vampiro de Curitiba… Quem estaria do lado de fora batendo na porta a essa hora da madrugada“, indagaram os bravos sindicalistas londrinenses, descartando a ideia de ligar para a portaria.

Diante da insistência do visitante em bater à porta, Aelton e Irineu definiram uma estratégia para abrir a porta e desvendar o mistério: “você pega um cobertor e fica em cima da cama. Quando eu abrir a porta cê pula em cima dele“, combinaram os dois. E lá foram colocar em prática a estratégia. Josué permaneceu deitado e Aelton, ainda preocupado com a situação, abriu a porta de forma rápida para pegar o visitante noturno de surpresa, quando então surgiu à sua frente o Joaquim, com uma pizza na mão.

Aos poucos o medo de ambos foi-se embora e vieram as gargalhadas. Joaquim, que não entendeu direito a atitude dos companheiros, agiu como se nada demais tivesse acontecido, não se dando conta do medo que abalou os nervos de aelton, Josué e Irineu naquela madrugada.

Posted in TRIBUTO A JOAQUIM | Leave a Comment »

Revista comemorativa dos 20 de CUT revela um pouco da história de lutas

Posted by Armando em 02/07/2009

Capa revistaA história de lutas que levou o Sindicato dos Bancários de Londrina a seguir o caminho do chamado “Novo Sindicalismo”, iniciada em 1983 por Joaquim Borges Pinto, José Adalberto Machio e outros bancários da época, foi retratada na Revista comemorativa aos 20 anos de filiação da entidade à Central Única dos Trabalhadores. Com textos, fotos e outras imagens, o material relata as principais ações do Sindicato dos Bancários no período pós-Ditadura, passando pelo desastrado mandato de Collor de Mello e os ataques à classe trabalhadora patrocinado pela “Era FHC”.

A Revista é um resgate histórico da categoria bancária, com documentos que lembram greves memoráveis, conquistas e diversos fatos que marcaram as décadas de 80, 90 e o início do século 21. Vale a pena relembrar o passado. Clique no link para ver a Revista dos 20 anos de CUT: Revista Bancarios 2005.

Posted in TRIBUTO A JOAQUIM | Leave a Comment »

Líder da esquerda, Joaquim debate Reforma Agrária na UEL

Posted by Armando em 28/06/2009

Joaquim e outras lideranças de esquerda fizeram bonito no debate da UEL

Joaquim e outras lideranças de esquerda fizeram bonito no debate da UEL

O líder sindical e petista Joaquim Borges Pinto foi um dos participantes de Debate sobre a Reforma Agrária, realizado em 1987 no CCH (Centro de Ciências Humanas), da Universidade Estadual de Londrina. O evento promovido pelos estudantes do segundo período do Curso de Comunicação Social era uma atividade da disciplina Comunicação Rural e também contou com a presença de representante dos ruralistas, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), do PCB (Partido Comunista Brasileiro), da TFP (Tradição Família e Propriedade) e do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Mediado pelo então estudante de jornalismo, Hélder Vilela, o debate foi pesado, uma vez que na época o tema Reforma Agrária ainda era um tabu para a sociedade brasileira. Mas Joaquim foi lá e fez sua parte, defendendo a democratização do País e a utilização da terra como meio de sobrevivência da população e não para o deleite de latifundiários, como então imperava.

Junto com os demais representantes da esquerda participantes do debate, Amadeu Felipe da Luz Ferreira e dona Maria “Fumaça”, do MST, o líder sindical enfrentou os ataques dos adversários e da platéia, composta em sua maioria por estudantes de Direito, Veterinária, Agronomia e uma pequena parcela do Curso de Comunicação Social.

Com garra e bons argumentos, os defensores da Reforma Agrária deram conta do recado e contribuíram para que aquele Debate na UEL passasse para a história.

Posted in TRIBUTO A JOAQUIM | Leave a Comment »

Ganhou o assaltante na lábia e foi tomar cerveja

Posted by Armando em 23/06/2009

Bom de papo e hábil negociador, há pouco mais de 20 anos, o jovem Joaquim Borges Pinto voltava à noite das aulas do curso de Psicologia no antigo Cesulon pelas então seguras ruas de Londrina, quando foi surpreendido por um assaltante. O sujeito chegou, não se sabe se armado ou não, e mandou que Joaquim lhe entregasse o relógio de pulso e a carteira.

Atônito, o jovem estudante repassou seus pertences ao meliante, mas antes que o mesmo fugisse iniciou uma conversa. De companheiro pra cá, companheiro pra lá, passando pela conversa sobre situação difícil de se viver honestamente no País, Joaquim convenceu o assaltante a devolver a carteira intacta e até mesmo o relógio. Esta empreita deve ter sido uma das mais difíceis de sua vida, na qual qualquer deslize poderia ter provocado uma tragédia.

Folclore ou não, dizem os amigos que após superada essa situação de risco  Joaquim foi tomar uma cerveja no bar mais próximo. Alguns dizem que o assaltante foi junto…

Posted in TRIBUTO A JOAQUIM | 2 Comments »

Sujeito alegre e com muitas histórias

Posted by Armando em 20/06/2009

Alegria foi constante na vida de Joaquim

Alegria foi constante na vida de Joaquim

O psicólogo e sindicalista Joaquim Borges Pinto deixou em seus 53 anos de vida uma série de histórias interessantes, algumas até hilárias, refletindo seu carisma e espírito sempre alegre. Nascido no signo de escorpião, com gênio forte, porém maleável, talvez graças a sua formação, Joaquim tinha como hábito colocar apelidos nos colegas.

Nem todos pegavam, mas alguns fizeram seus “companheiros” a deixar o nome de batismo de lado e abraçar o apelido. Um deles foi o ex-bancário do BANESPA e integrante do GEB (Grupo de Estudos Bancários), Osvaldo Paes de Brito, o Mano, que há mais de 20 anos só é conhecido pelo apelido.

Muitos outros colegas de trabalho e de luta também sofreram com essa brincadeira, compartilhada também com gerentes de banco turrões, visados durante as mobilizações da categoria bancária. Entre eles, o que talvez tenha sofrido mais com mais com o apelido foi o “Ciro Vaca Brava”, do Banco Nacional. Nas memoráveis greves de 1986 e 1987 ele era lembrado nos protestos em frente à agência situada próximo à Catedral de Londrina. Com cartazes e o carro de som seu apelido ganhava as ruas.

Entre os colegas do Sindicato não era diferente: “Pavão”, “Caixa D´agua”, “Tripa”,  “Jacão Pé de Pacu”, “Totô”, “Tom Bola”, “Água do Sapo”  etc. eram apelidos que  Joaquim tentava impôr aos amigos, nem todos com sucesso. Fui lembrado ainda do apelido de “Sapo Boi”, que era como o combativo amigo tratava o jornalista Enio Taniguti, ex-assessor de imprensa do Sindicato dos Bancários de Londrina na década de 80.

Era assim que o sempre alegre Joaquim cultivava amizades, com brincadeiras sadias, vindas de sua simplicidade e jeito de levar a vida sem que isso pudesse afastar os companheiros de muitas lutas.

Posted in TRIBUTO A JOAQUIM | Leave a Comment »

De Xambrê para o mundo de lutas

Posted by Armando em 17/06/2009

Joaquim (de azul), tomou posse no Sindicato em 1985

Joaquim (terceiro à direita), tomou posse no Sindicato em 1985

Paranaense de Xambrê (PR), Joaquim Borges Pinto, nasceu no dia 14 de novembro de 1955. Filho de seo Otacílio Borges Pinto e dona Ana Medina Borges, pequenos comerciantes na época em Bragantina (PR), o jovem Joaquim deixou os pais e quatro irmãos e mudou-se para Londrina para estudar.

Aplicado, passou nos concursos para a Polícia Federal, Lojas Americanas ( função de gerente)   e BANESPA (Banco do Estado de São Paulo). Como já estava namorando sua primeira esposa, Luci, preferiu trabalhar no banco para não ter que sair da cidade. No BANESPA  atuou como caixa, dividindo seu dia entre as atividades bancárias e o curso de psicologia no então Cesulon (Centro de Estudos Superiores de Londrina), que mais tarde seria denominado Unifil (Universidade Filadélfia). Junto com os afazeres acadêmicos, participou de campanhas de arrecadação de agasalhos.

Despertou seu espírito de liderança ao ingressar no diretório de estudantes da Faculdade, mobilizando seus colegas contra aumentos sucessivos nas mensalidades e outros problemas enfrentados na época. Segundo conta Valdíria, sua segunda esposa, Joaquim gostava de estudar no Cemitério São Pedro, pois era uma lugar quieto. “Sempre que passávamos por lá ele falava isso”, lembra Valdíria.

Em 1983, conheceu no BANESPA o então colega de trabalho e também caixa, José Adalberto Maschio (Ganchão). Do fruto dessa amizade surgiu o movimento de oposição à diretoria do Sindicato dos Bancários de Londrina, empossada pela Ditadura Militar. Como retalização, Joaquim e Ganchão enfrentaram muitas dificuldades para se associarem ao Sindicato, o que foi conseguido com muita pressão.

O GEB (Grupo de Estudos Bancários) começou a organizar a categoria na região e mais tarde contou com a participação de outras pessoas, como Vasni Rabelo, Osvaldo Paes de Brito (Mano) Antonio Paula dos Santos (Toninho), Odete Thomaz de Aquino, João Antonio da Silva Neto (Joãozinho), Geraldo Fausto dos Santos (Ceará), Sebastião Felismino e outros bancários descontentes com a gestão do Sindicato.

Como recorda José Adalberto, hoje jornalista e correspondente da Folha de S.Paulo na região, o espírito conciliador de Joaquim levou para o GEB pessoas que não tinham o mesmo pensamento que os demais integrantes do Grupo. Apesar disso, foram cerca de dois anos de discussões e trabalho de base, que culminou, no início de 1985, com a vitória da chapa VIDA BANCÁRIA nas eleições que definiram a nova diretoria do Sindicato dos Bancários de Londrina, com 85% dos votos coletados.

Começava aí a era do “Novo Sindicalismo”, seguindo a tendência de abertura e democracia que tomava conta do Brasil em meados dos anos 80. Sob o comando de Joaquim, em outubro o Sindicato dos Bancários de Londrina filiou-se à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e tornou-se referência de luta para os trabalhadores.

Posted in TRIBUTO A JOAQUIM | 2 Comments »

Joaquim Borges Pinto, um comandante de homens

Posted by Armando em 12/06/2009

Joaquim Borges Pinto, sindicalista de verdade

Joaquim Borges Pinto: sindicalista de verdade

Joaquim Borges Pinto, falecido no último dia 9 de junho, deixou nosso mundo prematuramente, mas deixou quatro filhos para perpetuar sua passagem por aqui, além de muitos outros feitos e passagens na vida que passaram para a história. Nesta homenagem a Joaquim, meu companheiro de trabalho por 22 anos no Sindicato dos Bancários de Londrina, vou tentar reproduzir neste espaço alguns momentos que o fizeram ser querido por muitos e respeitados por todos.

Nos próximos dias vou publicar histórias do mais importante líder sindical de Londrina e, talvez, do Paraná, que deixou saudades e exemplo de sabedoria para aqueles que abraçam as lutas em defesa dos trabalhadores e de uma sociedade melhor.

Armando Duarte Junior

Posted in TRIBUTO A JOAQUIM | Leave a Comment »

 
%d blogueiros gostam disto: